quarta-feira, 21 janeiro 2026

Instituto Estadual de Florestas reconhece a 300ª Reserva Particular do Patrimônio Natural de Minas Gerais



Legenda: Trecho de Mata Atlântica em Minas gerais: carta na Nature pede prioridade para restauração de bioma ameaçado (Foto: IEF/MG)

Minas Gerais atingiu um marco histórico na política de conservação ambiental com o reconhecimento da 300ª Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) no estado. A nova unidade, denominada RPPN Mundo dos Gigantes, foi oficializada por meio da Portaria IEF nº 83, publicada em dezembro, e está localizada no município de Bocaina de Minas, na região da Serra da Mantiqueira, protegendo uma área de 10 hectares de relevante valor ambiental.

Com a oficialização da RPPN Mundo dos Gigantes, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) passa a contabilizar 300 reservas particulares reconhecidas em Minas Gerais, que, juntas, somam aproximadamente 118 mil hectares de áreas naturais protegidas. O número expressivo evidencia o avanço da conservação voluntária no estado e o engajamento de proprietários rurais na proteção do patrimônio natural mineiro.

Além das RPPNs reconhecidas pelo IEF, Minas Gerais também conta com 99 Reservas Particulares do Patrimônio Natural reconhecidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em âmbito federal. Essas áreas abrangem cerca de 31.586,74 hectares, ampliando ainda mais a rede de proteção ambiental em território mineiro.

Ao todo, o estado reúne 399 RPPNs, responsáveis pela preservação de aproximadamente 150 mil hectares de áreas naturais. Esse resultado consolida Minas Gerais como o estado brasileiro com o maior número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, reafirmando seu protagonismo nacional na adoção de instrumentos voluntários de conservação da biodiversidade.

A criação da RPPN de número 300 representa um avanço significativo na ampliação da cobertura de áreas preservadas em um território marcado pela diversidade de biomas e pela presença de ecossistemas sensíveis e estratégicos. Minas Gerais abriga porções importantes da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga, biomas que enfrentam diferentes níveis de pressão ambiental e que dependem de iniciativas de proteção para garantir sua integridade ecológica.

As RPPNs exercem papel fundamental na manutenção da biodiversidade, na proteção de nascentes e recursos hídricos, no controle da erosão e na conectividade entre fragmentos florestais, funcionando como corredores ecológicos essenciais para a fauna e a flora. Essas áreas complementam as unidades de conservação públicas, ampliando o alcance das políticas ambientais e fortalecendo a resiliência dos ecossistemas.

Criadas de forma voluntária pelos proprietários rurais, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural se baseiam em um compromisso permanente de preservação. A proteção da área é perpétua, permanecendo válida mesmo em caso de venda ou transferência da propriedade. Além de garantir a conservação do patrimônio natural, as RPPNs permitem o desenvolvimento de atividades compatíveis com a preservação, como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e visitas técnicas, contribuindo para a produção de conhecimento e para a conscientização da sociedade sobre a importância da conservação ambiental.

Os proprietários que optam pela criação de uma RPPN também têm acesso a uma série de benefícios, entre eles a manutenção da posse da terra, a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) sobre a área protegida, a priorização na análise de projetos ambientais e a possibilidade de apoio técnico por parte dos órgãos ambientais, o que estimula ainda mais a adesão ao instrumento.

De acordo com a diretora de Unidades de Conservação do IEF, Letícia Horta, as RPPNs desempenham um papel estratégico na política ambiental do estado. “As RPPNs em Minas Gerais representam um instrumento estratégico de política ambiental, pois promovem a conservação voluntária do patrimônio natural, fortalecem a conectividade ecológica, ampliam a proteção da biodiversidade e consolidam parcerias entre o poder público e a sociedade na gestão sustentável do território”, destaca.

O reconhecimento da 300ª Reserva Particular do Patrimônio Natural simboliza mais um passo importante na consolidação de uma ampla rede de áreas protegidas em Minas Gerais. A iniciativa contribui de forma efetiva para a preservação de espécies, a proteção de ecossistemas essenciais e o enfrentamento dos desafios ambientais contemporâneos, reafirmando o compromisso do estado com a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Rede Gazeta

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